sábado, 31 de janeiro de 2015

Escritos de Samael Casanova, referente à aula do dia 27 de janeiro de 2015

Sem dúvida, a última aula/ensaio do Coletivo Dama Vermelha (28/01) foi a mais extenuante de todas pra mim. Muito suor, energia, respiração ofegante, dor, músculos queimando, articulações que não param, concentração... 
O exercício do "sol" foi bastante interessante. Ao procurarmos o centro exato da sala para posicionarmos o pequeno sino, eu percebi que buscávamos subliminarmente o centro de nós mesmos... o lugar de onde tudo se origina e para onde tudo volta, o lugar para onde temos que estar atentos ininterruptamente a fim de não esbarrarmos, deslocarmos ou quebrarmos nossa concentração durante o mise-en-scène. 
Sentir a energia do chão antes de iniciarmos o trabalho com o corpo foi fundamental pra mim, porque eu senti que fez toda a diferença. Me senti mais forte. Mais capaz. As movimentações pareciam fluir melhor. 
A ideia de prisão da bolha parece cruel, tétrica, mas nos fortalece.
Infelizmente, não pude executar o exercício até o fim. Precisei de um tempo pra recuperar o fôlego e relaxar os músculos. Me hidratei, e depois parti pra caixa de 1m³ com uma bomba prestes a explodir em 30 segundos. Eu queria sair dali. E se conseguisse, abriria as outras caixas e salvaria quem quisesse ser salvo das bombas. 
Depois, eu estava mais tranquilo, e me senti feliz até mesmo dançando minha própria morte. Gostei da movimentação que eu criei. 
Mas no dia seguinte, meus joelhos não gostaram muito disso. Dor suportável, mas desconfortável. Tenho que aprender a cair com outros apoios que não sejam os joelhos e os cotovelos. 
O exercício de chegar ao outro lado da sala em 20 minutos foi cansativo. A parte que mais cansa é a espera. O corpo quer se mexer... É impressionante, parece que quanto mais você gasta energia, o que você mais quer e ficar parado uma eternidade... Mas a eternidade cansa. Muitas vezes 40 segundos são suficientes. Quando você fica parado muito tempo depois de estar todo suado, depois de ter gasto tanta energia, depois de achar que seu corpo explorou o próprio limite, mais você cansa. Aí você acha que vai despencar na cadeira a qualquer minuto. Respirar rápido dá gastura, respirar devagar dá mal estar. Mas quando os 20 minutos acabam e você ainda está de pé, você é um pequeno vencedor. Foi isso que eu senti. 
Quanto às movimentações criadas... Cara, é lindo ver que no que 15 minutos nas mãos de pessoas criativas se transformam. Acho maravilhoso o processo de criar algo que não existe a partir de coisas que sentimos, que vimos, que escutamos, que tocamos, que cheiramos, que comemos, que amamos... Cenas singelas que foram produzidas e que podem com certeza (e vão) ser aproveitadas para o próximo espetáculo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

"PARTidas" (PodTeatro)

Espetáculo " PARTidas " (PodTeatro) SINOPSE "PARTidas" apresenta histórias anônimas de pessoas que refletem su...